sábado, 25 de junho de 2011

"Amar-te"



Amar-te sempre meu amor e tanto 
Que, mesmo não estando mais, amar-te  mais ainda
Sempre presente na minha vida tão linda
Sempre presente o nosso amor cheio de encanto
Que encanto foi o teu que me instigou
A amar-te por toda a minha vida
Que encanto foi o teu que marcou
E encheu o meu coração com tanta alegria
Cantamos juntos o hino do nosso amor
O cântico da terra entoou  a nossa saudade
Espalhamos o nosso amor em ventos de liberdade
Tantas alegrias e, até sofremos a dor
De não podermos  inventar de novo
O amor, a saudade do nosso povo...
E, ainda há quem diga
Que nesta vida tudo passa
No entanto o meu amor será sempre teu
Grito à humanidade inteira
Um brinde ao nosso amor cheio de graça
A minha vida na tua beira
Que o véu do nosso amor
Se mantenha eterno à nossa cabeceira.

(Angelina Alves)



sábado, 18 de junho de 2011

"O Cais"



O Céu abriu-se em lágrimas
Sobre a cidade que tanto amei
Esmagavam-se uma a uma as casas
E, no cais o pôr do sol que contigo contemplei
Não é mais que um leito de morte
Gente entregue à sua  própria sorte
África minha! Terra que por ti tanto chorei
E, lá ficaram crostas de silêncio
Lá ficou o nosso reino o teu e o meu lugar
Ouço cair as folhas no Outono sobre o asfalto
E sem medo deixo-me ficar
Olhando todos os espaços o fundo o alto
Pesadamente cai um vento
Aragem em aragem  tu desfolhas
Pouso os meus olhos sobre esse tempo
Tempo meu doce tempo que não mais olhas
No espaço a musica certa na alma
Para tão longe fomos para estar tão perto
Da magia daquela terra que nos encheu de calma
Da distância que marcou em nós deserto 
Deserto de fontes sem vida
 Lá ficou a nossa história
O nosso amor e a nossa alegria
Lá o sol aquecia a nossa alma noite e dia
Tudo guardado na minha memória...


(Angelina Alves)





terça-feira, 14 de junho de 2011

"O VÔO DAS BORBOLETAS"



A beleza das coisa está mais no que conseguimos, do que naquilo que está à nossa volta. A violação dos códigos de honra, as cedências que somos obrigados a fazer, a desilusão por voltarmos tantas vezes à estaca zero, a hipocrisia com que chefes tratam os seus subordinados, só porque tem o estatuto de chefes, quando na verdade não passam de burros ao quadrado, porque não tem sequer a humildade de assumir um erro e isto por falta de competência para assumirem o seu cargo, como para resolver o seu erro. A injustiça ´e as inverdades da vida sempre me doeram muito.

Há cedências terríveis, mas por vezes necessárias, que nos afastam das nossas verdades simples: mas, há muito mais grandeza numa cedência do que no autoritarismo que apenas serve para vincar as distâncias, mas nunca os valores. Não posso sentir que minha vida fique nublada; não serei nunca prisioneira da incompetência, nem do medo, que sistematicamente é aplicada para mostrar quem manda.

Serei observadora, mas nunca calada: serei atenta, mas nunca arrogante: serei lutadora mas nunca injusta; serei suave mas nunca serei capacho de ninguém. Voarei sempre com a liberdade das borboletas.

Hoje não sei o que me doí!

Apenas quero voar o voo das borboletas...




Quero ser borboleta e voar até ao sol

Tocar as estrelas e mergulhar até ao mar

Quero ser a borboleta e o caracol

Quero voar andar na terra e descansar.

Quero ter a força dos dinossauros

Estar atenta e ter a sabedoria

Suficiente para nunca ser injusta

Quero sentir-me viva
Lavar minha alma nos lagos de água pura.

Sou mulher, ah como a vida doí

Mas a luta é uma constante morrerei

De pé como as árvores, o moinho moí

Mas eu como a borboleta voarei.

Não! não afundarei as minhas verdades

Voarei pelas mais altas montanhas

Aos ventos gritarei as minhas vontades

Justiça até ao desgaste das minhas entranhas.

(Angelina Alves)


domingo, 5 de junho de 2011

"AMANHÃ"


O sol fechara a tarde
Sobre a minha ventura
Partiu sem marcar hora
Perdeu o dia todo o encanto 
Quando a ternura do teu olhar
Apagou o som a palavra definitiva
Eu quis gritar
Quis erguer as caídas esperanças
Passei as minhas mãos
Pela tua face beijei-te em lembranças
Apenas me consegui recolher
Em meus pensamentos
Sentindo um vago rumor
O rumor dos guizos á beira mar
Silênciei os meus momentos 
As palavras bateram descontroladas
O sol ainda me iluminava
Enquanto com os meus olhos o recolhia...
Caiu um fumo sobre um buraco de luz
Mais volúvel que um bando de pássaros
Sinti-me morrer em todos os gestos
Sinti-me fraquejar nos meus passos
Na tela ao fundo a minha história
Minha face é um jardim de estátua
Fiz o caminho ao avesso
Mas com toda a solenidade
Farei o caminho de regresso
Enquanto o espelho se vira
Recomponho a dura verdade
E, tudo começa pelo começo...
Assim  passa a noite e o dia
Apenas toca um sino a perturbar
As linhas de um rosto que recompus
Abri a janela deixei entrar
O som da atmosfera vinda de fora
Arrumei a paisagem quotidiana
Marquei-me na minha profunda paixão
E, ao olhar ao fundo as colinas
Marquei-me na minha inspiração
E, sem medo ergui-me
Deixei entrar ar pelas minhas narinas
Levantei-me do chão...
Amanhã!
Amanhã será um novo dia
Tu! viverás para sempre no meu coreação.

(Angelina Alves)




quinta-feira, 2 de junho de 2011

"À PORTA DO SILÊNCIO"


Habitei na aldeia dos teus olhos
Em todas as manhãs de todos os dias
 De todas as primaveras
Bebemos o mesmo vinho
Ouvimos a mesma música
Elegi-te no calor de todos os sóis
Brindamos as mesmas alegrias
Embriagados de sonhos quimeras
Em todo o tempo
Contigo estarei
Há um céu a sorrir
Na aldeia dos teus olhos de habitar
Contigo deixei-me ir
Contigo deixei-me estar
Um cântico de vida veio do mar
O astro brincou no eixo
Extasiando o meu ser 
Desafiando todos os ventos no ar
Beijando o botão de rosa
Bebi do teu orvalho
Caiu água sobre os meus olhos
A minha alma chorou
A água da minha paz
Senti o teu mel na minha boca
Senti o real da tua voz
Como um rio lunar
Contigo eu quis ir
Contigo eu quis ficar
Cantaram os tambores da tristeza
Habitei na aldeia dos teus olhos
E quis contigo dançar
E quis contigo beber a vida
Olhei os teus poros sem respirar
Habitei nos teus olhos para sempre te amar.
O teu mel na minha boca
Como um rio lunar...
(Angelina Alves)