sábado, 10 de março de 2018


Bom dia queridas amizades. Bom dia para todos com muitas bênçãos. Beijinhos da Ange.... 

Este sol de Março, que beija os lábios da madrugada ainda nua e fria, quase morna, onde se transpira o orvalho cristalino das estrelas que madrugam num vai vem da alvorada. O sol de olhos abertos e livres, instiga-me a viajar pelos labirintos do infinito, por onde voam pássaros que espalham fios cheios de esperança sobre as almas inquietas mas, atentas à boa mudança. Nascem do mar flores verdejantes, que, derramam suaves aromas trazidos pelo vento e, nos envolvem em lençóis de alegria e sorrisos. Sugo devagarinho este orvalho nos lábios da madrugada: Nela viajo e renasço em todas as madrugadas, por todos os tempos. Manhã tão calma, tão doce e tão serena.
Extractos de: Angelina Alves 

terça-feira, 23 de janeiro de 2018

Choram os olhos pela madrugada cantada na escuridão. As ideias, as palavras, as imagens, os gestos e até as metáforas , sucumbem na falta de temas, motivos e mesmo diplomacia. O dia acordou, levantou-se do ermo - Há uma alma que vive, que luta numa solidão sem nome e todos os gestos são equacionados num labirinto onde se procuram os sonhos numa busca incessante da felicidade.
Extractos de: Angelina Alves
Há uma amargura no sorriso que ganha uma doçura triste. As palavras soam como a própria vida. Há uma procura incessante de um sonho perdido, Por onde andas felicidade?... Algures num labirinto, onde eu não consigo decifrar o código da entrada. E gritam as maiores mágoas silenciadas de olhos postos pelo espaço, onde se perdem pelo som de um piano, acompanhado de uma voz rouca e abafada, impetuosa ou pensativa, mas que não chora, apenas disserta musicalmente sobre as dores da sua alma..
Extratos de: Angelna Alves

segunda-feira, 13 de novembro de 2017


  1. Os ventos que às vezes tiram
  2. algo que amamos, são os
  3. mesmos que trazem algo que
  4. aprendemos a amar... Beijinhos da Ange.... 

terça-feira, 5 de setembro de 2017

Estado de Alma

Os dias de verão estão a terminar como um reino
Não te apresses Outono para os desenhos da luz
O sol ainda demora, ainda não chegou
A esta doçura matinal que meu cheiro respira
Indecisa, colho a haste débil que parou
No vento suave da colorida resina.
Quero moldar o meu espaço:
Da cor do sol a clara, espiga do dia
Um raio de sol chega
E  aquece o meu corpo numa linha viva.
Há palavras no branco alento de ti, puro
Os desenhos da luz mostram-me a tua cor
Nas persianas ondulantes em listas de luz
Cantam em melodia todos os pássaros
Entoando harmonia neste silêncio cálido
A folha alta cresceu, fez nascer o dia
Em silêncio de bloco transparente
Tudo revive no que em ti eu vejo
Mesmo na margem branca intransponível
Mesmo no monte árido
Onde não há sol, mas há vida
Há um sol quente
Completamente invisível
Hesito, falho e sempre recomeço
Vem a noite e vem o dia
E todo o sol em luz dá vida
Há vida nas palavras escritas em verso.


 Escrito por: Angelina Alves

quinta-feira, 24 de agosto de 2017


O mistério da morte – dedicado à minha mãe
Partiste no dia 16 de Agosto de 2017,
o dia era fervente de um calor atroz. Sete horas fim de tarde, eu de cara encostada à tua, dizia-te adeus. A tua cara estava fria e os teus cabelos brancos luziam no teu rosto apagado.
As minhas últimas palavras segredadas em silêncio - obrigado meu DEUS, por acabares com o sofrimento da minha Mãe. Manifestei pouco este belo sentimento à minha mãe e no fundo sempre a amei sem me aperceber deste sentimento tao nobre e inigualável. Dei-me conta da profundidade das raízes desse amor, no momento da derradeira separação física, que é a morte.
O coração das mães é um oceano tão grande, no fundo do qual se encontra sempre o perdão, assim deve ser o coração dos filhos, perdoar os pais quando erram, porque a aprendizagem da vida é feita entre as partes e o amor cresce quando reconhecemos atempadamente que: O AMOR DE MÃE, é o amor mais lindo que existe.
Todos os filhos se deveriam lembrar que a sua mãe foi o primeiro elo de ligação a este mundo quando as raízes começam a brotar logo no início da gestação e que essa ligação não pode de maneira nenhuma ser quebrada, aconteça o que acontecer. É um privilégio ser-se mãe, temos portanto que respeitar, acarinhar e perdoar o erro dos nossos pais, mesmo quando as situações nos parecem absurdas. Não terei nada que perdoar à minha mãe, apenas me culpo a mim, julga-la como fiz durante anos. Felizmente ainda tive tempo de lhe dizer o quanto a amava e agradecer a Deus, de me ter dado tempo para poder privar com ela.
Por muito que parece o contrário, pois muitas vezes nos questionamos por isto ou por aquilo, como eu fiz, porque cresci com muitas duvidas no meu coração e porque nunca obtive as respostas corretas, Tudo é incerto neste mundo hediondo, mas não o amor de uma mãe.
É um amor mais forte que tudo, mais obstinado, mais duradouro, que prevalece para lá dos tempos.
É o amor de mãe.
A mulher que é mãe, é rainha da sua rosa. Tu foste a minha rainha na tua simplicidade. AMO-TE TAL COMO TU FOSTE MÃE AMADA. Ficaras para sempre no meu coração. Sei que subiste aos céus e lá encontraste os teus dois filhos e a tua neta – a minha filha amada.
Em memória de ti minha amada mãe
Até já 
Escrito por: Angelina Alves

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Sonhei que ainda estavas aqui e que o tempo tinha parado: Afinal qual de nós perdeu o direito! eu de te ver ou tu de me veres a mim? Que descanses em paz. Aprendi amar-te. aprendi a apaziguar o meu coraçao nas horas mudas, porque a vida ensinou-me a reconhecer a tua vós. A vida mostrou-me que: não há amor como o amor de MÃE .Estarás sempre no meu coração mãe amada 

sábado, 1 de abril de 2017

Há uma luz que se esvazia nos  olhos tristes, como um vulto num espaço opaco, todavia fica a memória  que em vão procura abrir-se a imagens de lembranças: rostos, sítios, mares, terras e até corpos delicados num curvar de ombros ou perfis. Sempre se recorda, ou se sonha do que mesmo sendo já antigo no tempo, foi e é ardente em nosso tempo. Vemo-nos em outros rostos, em outros gestos e embora o passado não nos alimente; alimenta o vivo quadro,  acendido em sonhos e lembranças. Mas o passado sempre se renova em cores e em formas ainda que sejam repetidas. E quando esse halo opaco se esvazia, a pouco, e pouco nos rodeia a vida, nem sequer o lembrar nos resta, porque os sonhos não se entregam: Crepuscular a luz obscurece  tudo.
Que interessa ter as mãos cheias de ouro
Quando o fogo da vida apagou
Os rebentos mais lindos, o mais valioso tesouro
O folgo da vida: A vida levou.
E quantas lembranças e quantas imagens
Se perderam na longa viagem do tempo?
Oceanos, mares, vales, gente; miragens
Crepuscular a luz que  apazigua o vento
Trava tempestades e põe os olhos tristes
A joia mais bela da vida, a própria vida
Ardente é o corpo: vida existe
Rostos, corpos delicados da alegria
Que seja florida a compreensão
Renovadas as cores e as formas repetidas
Vida, Onde há vida há sonho, há coração
O crepuscular da luz em nossas vidas…
Escrito por: Angelina Alves







“O sorriso da Primavera”

Olhei no dorso do mar
O sorriso da primavera à superfície
As ondas dançavam em sintonia a melodia
 Dos mares  e dos ventos irradiadas  por um sol
Perfumado de maresia
Começava o dia
Ainda iluminado
Por pequenos astros
Exótico o vento
Num símbolo de força
Quebrando as tenebrosas angústias
Da vivência de ternuras de medo
O sorriso da primavera
Nos olhos de Saturno cavaleiros
Onde as infames perdas de verdade
Descalçam os caules de solidão
Envolve o mar tranquilo
Mergulhando estradas no seu limite
O sorriso da primavera
Aquece os pensamentos entristecidos
Dando cor a todo o começo de vida
Há um contrato
Em formas de amor
Rasgando as areias de anagramas de fogo
Para que os sorrisos da primavera
Descarreguem a dinamite
Dos olhos estranhos
Que querem queimar com suas mãos
E apagar com seu olhar
A beleza a verdade a natureza
O sorriso da primavera.

( Escrito por_:
Angelina Alves)



quinta-feira, 23 de março de 2017

Descoberta de ti





Descoberta. Sinto-me forte na minha estrada e até segura no meu silêncio. Apaziguaram os vendavais
Decifrei a tua mensagem incorpórea. Haverá um outro dia em que te solicitarei e aceitarei a tua ajuda para que haja paciência para descobrirmos a força do silencio e podermos ambos seguir com segurança nesta larga e tortuosa estrada da nossa caminhada. Deixa-me correr atrás das borboletas, deixa que as minhas mãos toquem a doçura das noites quentes da alvorada. Que haja tudo a nosso favor- até a conspiração dos ventos aliados ao nada. É no nada que existem areias quentes. 
Extractos de Angelina Alves

terça-feira, 17 de janeiro de 2017


Lágrimas ocultas
Se me ponho a cismar em outras eras
Em que ri e cantei, em que era querida,
Parece-me que foi noutras esferas,
E a minha triste boca dolorida,
Parece-me que foi numa outra vida...
Esbate as linhas graves e severas
Que dantes tinha o rir das primaveras, E cai num abandono de esquecida!
O meu rosto de monja de marfim...
E fico, pensativa, olhando o vago... Toma a brandura plácida dum lago
Ninguém as vê cair dentro de mim!
E as lágrimas que choro, branca e calma, Ninguém as vê brotar dentro da alma!
Florbela Espanca

sábado, 14 de janeiro de 2017

O inverno floresceu-me
A tristeza de ti
E deixou no meu olhar
O voo da águia voando
Deixando-me a planar
Eu tudo ouvi e vi
Até o discurso do sábio
Aquele que depois o perdi
Aquele que me disse
Que a mentira estava ao lado
Mesmo ao lado de mim
Foste a ausência
Foste o excesso
Foste o direito
Foste o avesso
O tempo juntou
O Inverno e o Verão
Suavizou o meu coração
E do mesmo jeito
Aprendi que a solidão
É diluída no tempo
Onde se perdeu o medo
Onde viver tem razão
Agarrei a audácia da águia
Bebi da fonte a pura água
Fui sarando.
Procurei nos limites do mar
Senti-me poeta através da unidade
Da força da minha alma
Ganhei forças e a contemplar
Juntaram-se as letras do meu nome
Que haviam naufragado
Abri as portas do meu jardim belo
Ficou leve o meu fardo
Reabri o meu Castelo…
Escrito por: Angelina Alves







sábado, 7 de janeiro de 2017

" Ventos que se cruzam"

Pelas letras de um verso, sinto o palpitar da tua vida: A tua vida que foi tão plena e tão presente, como naquele dia que vibras-te chorando para dar as boas vindas enchendo-me de alegria. Nasceste cheia de luz para a vida.
Os teus olhos eram verdes azulados, a tua pele delicada como a mais pura seda, os teus cabelos dourados da cor do Sol. Por Lisboa os ventos traziam-me um cheiro a maresia, assim começou a tua - a minha história, que foi tão triste, tão alegre, tão luminosa, com tantos altos e baixos. O sabor do meu espaço onde tudo pode acontecer. A ternura, a solidão, a tristeza e a alegria, a paixão e o desespero, até ver-te morrer na viagem sem volta ao nosso mundo que tudo viu acontecer...
Valem-me agora as mais belas lembranças de ti: Valem-me os ventos vindos de Lisboa cá para o Nordeste Transmontano que me trazem o mesmo cheiro a maresia, o mesmo cantar e o mesmo silencio. Tudo se cruza. Tudo me envolve. Quando penso que há mais de quarenta anos nascia a minha Luz, a que me dava razão de vida, os poemas que então já te dedicava com todo o amor de mãe e até os amigos e amigas que por Lisboa ficaram sem volta. Tudo faz parte da minha história, tão presente na minha memória e como tu minha amada filha, sempre tão presente na minha vida. É em cada letra, em cada verso que eu sinto o palpitar da tua vida. Neste meu espaço cheio de ternura, onde os vales e as montanhas cantam para mim, onde se cruzam os ventos de Portugal e de Espanha e outros ventos que eu nem sei, mas que bem os sinto eu aclamo por ti. Porque por aqui deixas-te a força do teu sorriso, o calor do teu abraço e a ternura pela vida. Estas letras são dedicadas a ti minha muito amada filha. Com todo o amor da tua mãe Escrito por: Angelina Alves



quinta-feira, 4 de agosto de 2016

"A magia da Lua"



Descalça, caminho por entre a folhagem perfumada
A noite embala-me Deixando-me em êxtase 
No odor da maresia que vem do mar
Adormeço nas brisas de sonho embalada
A lua cai sobre a noite que adormece.
Olho os lagos onde o reflexo da Lua desliza
Onde a luz pálida desenha muitas rosas brancas
Baloiçam os lânguidos pinheiros mansos, a noite suaviza
Num bailado magico - canto a noite de vestes brandas.
Descalça caminho por entre a folhagem perfumada
Por entre vales e rios de mil encantos perdidos
A noite de folha em folha murmurava
Todos os silêncios, todos os sonhos de amor sentidos.
Cantei o silencio de todos os astros, cantei a paz
Agarrei os desenhos das rosas brancas da pálida luz
Entrei na noite branda de luar - a noite que dança e trás
Toda a beleza, da noite e do dia. A lua meus passos conduz.

Escrito por: Angelina Alves






domingo, 12 de junho de 2016



Para ti adornei o meu canto
Confiei ao Sol a minha noite fria
Lavei todo o meu pranto
Na fonte de água limpa - bebia
Gravei o teu nome no monte
Sem nenhuma palavra escrita
O teu nome por todo o vale bem longe
Por todo o lado que alcança a minha vista.
As tuas gargalhadas por todo o lado se espalharam
Pelas árvores pelo Sol e pelo mar
 Todos os pássaros para ti cantaram
E cantam os meus olhos para não chorar.
Para ti adornei o meu canto
Onde os ventos cantam a nossa história
Saudade oculta em lume brando
Minha filha amada - minha linda memória.
"Dedicado à minha muito amada filha 
Que partiu a 24 de Janeiro ano de 2012"
Escrito por: Angelina Alves

segunda-feira, 25 de abril de 2016

25 de Abril de 2016 Parabéns Maninha

Agradeço a Deus ter-te reencontrado querida mana. És uma mulher linda por dentro e por fora. Continua sendo esse ser maravilhoso que és. Muitos parabéns e muitas felicidades. Beijinhos.



domingo, 24 de abril de 2016

Nao há pequenas coisas nem grandes coisas, todas são importantes. Ora me dizias que eu estava muito bonita, ora ficavas preso a olhar para mim com a ternura dos teus olhos pretos, Falavas para mim apenas com o teu olhar profundo e terno. Antes de chegares ouvia o coraçao na garganta como um tambor descontrolado e se alguém olhasse para o meu lado esquerdo conseguiria ver o movimento sincopado do coraçao, provavelmente do dobro do tamanho habitual a empurrar a minha camisa de cor de rosa, tapada por um casaco curto que tu me comprá-te em Barcelona. Queria estar muito bonita para ti, queria que, quando descesses a rampa por onde desciam aqueles que vinham de visita a Portugal ou simplesmente regressavam a casa, tu me visses bela e feliz, a transbordar de luz por estar à tua espera. Onde estarás tu meu querido? Porque trocás-te as nossas conversas pelo silencio? Porque te escondes atrás da distancia, depois do que vivemos juntos?Passamos tempos inesquecíveis, dormimos juntos e aproveitamos tudo o melhor que pudemos e fizemos aquelas coisas deliciosas que só os apaixonados fazem: Andámos de mãos dadas pelas ruas quando a neve caia sobre nós. Era tudo tão normal, tão claro, tão feliz....
Nao consigo deixar de escrever sobre nós.
Escrito por: Angelina Alves






quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

"Eu e minhas lembranç



Em toda a minha vida já chorei mais do que falei. Quantas vezes me sentei no sofá e deixei-me afundar na minha tristeza. Dizias-me muitas vezes que eu era uma mulher fora do meu tempo porque continuo a esperar das relações amorosas uma espécie de compromisso e de continuidade que deixei de reconhecer nos outros.
Acredito que este é um dos segredos perdidos do mundo moderno,  assim como acredito que as lágrimas possuem um efeito curativo e que sem dor nada se trata. Tudo na vida tem que ter o seu tempo e se ainda hoje escrevo sobre ti, sobre nós é porque quero que a nossa história de amor fique registada para todo o sempre. O que se fala, facilmente se esquece, o que se escreve dura para lá do tempo. Como moras há muitos anos noutra cidade que não a minha, o que sei sobre ti é muito pouco. Não sei sequer se ainda vives neste mundo, mas penso muito em ti. Tu, foste o grande amor da minha vida. Há quem me chame de doida por nunca ter conseguido ligar-me a ninguém e como tu sabes tive outros namorados, mas o verdadeiro amor foi teu, foi nosso. Fecho os olhos e consigo imaginar-me nos teus braços, anestesiada de tanto carinho e miminho afagada com tantos beijos ouço a tua voz a chamares.. Mas quando viajo até essa época também me sinto muito triste e vejo a tua tristeza quando tiveste a noção que tudo iria acabar entre nós.
Mais outro Natal que vou passar sozinha com as minhas lembrança.

Escrito por: Angelina Alves






quarta-feira, 25 de novembro de 2015

"Extractos da minha viagem"


Não. não basta um minuto de felicidade para encher a nossa vida, porque a nossa vida é feita de muitos minutos e cada um deve trazer-nos mais do que uma doce e ténue recordação de algo gracioso que tivemos e perdemos. Não bastam dias de sonhos, semanas de paixão, meses de elevação e vontade, porque a verdadeira vida ´é a que se constrói todos os dias, feita de gestos, atenções e cuidados, pequenos nadas que são quase tudo. 
O tempo vai limando as arestas e tecendo as teias da nossa desventura, resta fechar as portas e desejar encontrar o nosso caminho futuro.  A nossa vida muitas vezes acontece como um dominó. Passamos dias, semanas, meses, anos, a construir os nossos sonhos e, num breve instante, alguém tropeça nele e tudo se desfaz e desmorona. numa sucessão de azares impossível de travar. Quando o meu dominó começou a cair, juntei-lhe mais peças na cauda e aproveitei para limpar fantasmas na enxurrada. 
Assim sofri tudo de uma só vez, condensei a frustração num par de dias e fiquei a enxaguar a tristeza até ela secar o sol.
Depois com muita calma comecei a montar novamente o meu dominó, e aos poucos vejo-o a crescer sozinho como se o embate que fez as peças cair tivesse o poder de as levantar.
A esta capacidade rara de transformar o problema em soluções e encontrar novos caminhos em encruzilhadas a que eu chamo de persistência e sentido de justiça.
Sou e serei sempre uma mulher persistente, sempre tive em mim o sentido de luta, de justiça pelos sonhos e por isso nunca desisto mesmo quando tudo já parece perdido e isto em todos os sentidos. Seja no amor, na vida profissional os amigos e até em tudo o que parece mais simples, porque são as pequenas coisas que fazem de nós grandes seres Aprendi muita coisa ao longo da minha viagem: nada foi em vão. Aprendi com os meus erros, porque é quando se perde que a lição´é mais importante. Deveria ter ficado quieta mais vezes, deveria ter respeitado o teu silencio e o teu espaço, deixar-te em paz em vez de te pedir ao mundo, porque iria sempre amar-te, estivesses ou não a meu lado, porque fizes-te parte de mim, mesmo sem saber se eras a primeira ou a ultima peça do meu dominó, mesmo sem saber se o irias por de pé ou deitá-lo abaixo.
Sei que a vida quase nunca é como nos livros e muito menos como nas histórias exemplares, do tempo dos réis e das fadas, em que o príncipe, quase sempre atrasado, ou distraído, ou exausto, depois de ter enfrentado dragões ferozes e bruxas malvadas, rompia o silencio, o tempo, o feitiço, os portões e, tornando realidade o que parecia impossível, regressava no seu cavalo branco e rasgava com um beijo a sua amada princesa. Nessas noites eu ainda sonhava com esse beijo.Fomos evitando por medo ou pudor, porque ambos sabíamos que seria igual ao primeiro: perfeito, sublime e inesquecível. Não estivemos destinados à fusão, à soma de todas as partes para um todo maior do que nós, a cumprir um sonho que ambos desejávamos e que há muito se desvaneceu com o passar dos anos. A perfeição é um engodo, nunca existiu na continuidade, apenas se faz apresentar por escassos e velozes momentos durante toda uma vida.
"Dizer: Está resolvido, é uma palavra muito escorregadia" 
Um amor verdadeiro não morre nunca.

Escrito por: Angelina Alves